quarta-feira, junho 03, 2009

(in)Segurança Social.

A minha esposa encontra-se grávida de 3/4 meses. Encontra-se em casa pois a profissão não lhe permite trabalhar enquanto grávida. Está com baixa de gravidez de risco há perto de 3 meses e a história com a Segurança Social mais parece ser uma comédia, ou tragédia, dependendo do ponto de vista.

Após ser confirmada a gravidez a minha esposa comunicou à empresa que rapidamente lhe agendou uma consulta com o médico da empresa. Como na profissão dela a gravidez, devido aos riscos envolvidos, não é possível que ela continue a trabalhar. 

Neste ponto começa a aventura. Contacta a Segurança Social para saber quais os papéis necessários para a baixa ao que lhe respondem que seria necessária uma declaração da empresa a dizer que ela não pode trabalhar e que não têm outra tarefa para ela, e uma outra da médica a atestar a incapacidade para realizar o trabalho dela na empresa, devido aos riscos. A minha esposa foi ao médico da empresa e à médica de família, reuniu os papéis necessários e entregou na Segurança Social em Almada no dia 2 de Abril, mas já referente a dias desde dia 24 de Março.

No dia em que entregou os papéis confirmaram (em Almada) que estava tudo “OK” e a minha esposa perguntou se demorariam muito a pagar e a resposta foi que “as baixas relativas a gravidez são pagas com prioridade, pelo que será muito rápido”. Em Maio, foi ao site online verificar se já teriam lá alguma prestação relativa ao processo dela e, para seu espanto, não tinha nada lá. Constatado esse facto, ligou para a Segurança Social Directa para tentar saber alguma coisa ao qual apenas lhe informaram que não existia em sistema nenhum processo dela. Dirigiu-se à Segurança Social de Almada, na qual apenas lhe disseram que os papeis já tinham seguido para Setúbal para processamento e enviaram um email a pedir para, em Setúbal, entrarem em contacto com a minha esposa. Assim foi, mas apenas para descobrir que tinham perdido os papéis dela. Lá procuraram, procuraram e os dias a passar, e a minha esposa depois de varias tentativas lá conseguiu falar com a S.S. de Setúbal de novo e, nesta chamada, responderam que “ainda não tinham descoberto os papéis mas que iriam procurar melhor e se não achassem que ligavam ainda no próprio dia. Se não ligassem que seria porque acharam os papéis”. Não ligaram. Pensando que teriam achado os papéis, no dia seguinte, e para descargo de consciência, ligou novamente, apenas para descobrir que apesar de não terem ligado, os papéis também não foram encontrados.

Novamente a minha esposa se desloca a Setúbal para lhe darem alguma satisfação e para tentarem resolver os problemas. Nada foi resolvido. Vai a Setúbal, vai a Almada, volta a Setúbal e nada. Até que há alguns dias volta a Setúbal e conseguiu falar com o “departamento de doença” que lhe perguntam se ela entregava as “baixas”, ao qual a minha esposa disse que não porque lhe sempre disseram que não era necessário. Ela responde que é mesmo necessário. A minha esposa no dia seguinte deslocou-se a Almada, à Médica que lhe passa as baixas e de novo a Setúbal onde as entrega e lhe dão a resposta (isto no dia 29 de Maio) “Bem, como o mês já fechou, só lhe vamos começar a pagar no final do próximo mês”. À tarde voltou lá e falou com outra senhora que lhe informa “que a colega não poderia ter dito isso porque o próximo processamento é na próxima semana, mas venha cá próxima terça que está cá o “departamento de doença” a atender e peça para tentarem incluir já neste processamento”.

Terça feira seguinte, ontem, a minha esposa novamente se desloca à S.S. de Setúbal apenas para descobrir que “o sistema está em baixo” e que ninguém poderia ajudar, teríamos que esperar lá na esperança de terem sistema ainda em tempo útil. Pensamos que mesmo que o sistema não estivesse “em cima” em tempo útil, como ontem o “departamento de doença” não atendeu ninguém, que atenderia hoje. Perguntamos para confirmar e recebemos a resposta “como o sistema está em baixo, a “doença” não pode atender ninguém hoje e como os dias de atendimento são colocados num calendário, só para a semana é que atenderá novamente”.

Pronto, lá fomos verificar o calendário que estava afixado onde a “doença” é apresentada como dia de atendimento quarta-feira dia 10 de Junho, que para quem não sabe é feriado. Mais uma vez perguntamos como seria porque na semana seguinte seria num feriado. Resposta, “então só daqui a duas semanas”.

Estavam lá varias pessoas que estão há mais de 2 meses à espera de ver um tostão. Pessoas que já não têm como dar de comer aos filhos. Pessoas que têm compromissos que não podem cumprir porque a “Instituição” funciona como lhe “dá na real gana”.

Ao perguntar como se a “Doença” não poderia pelo menos apontar em papel as pessoas e processos que necessitam de processamento porque já estão a chegar ao desespero a resposta foi que não. Perguntaram também se seria possível hoje alguém tratar do assunto ao que responderam e segue a citação verbatim: “Minhas senhoras, amanhã apenas há atendimento geral e isso só a doença é que pode resolver, nós aqui não fazemos nada”. Nunca naquele dia alguém tinha dito tamanha verdade… “…nós aqui não fazemos nada…” .

No caso da minha esposa já são 3 meses e neste já fica a casa por pagar, o carro já ficou desde mês passado… Agora é, nestes casos, quem se responsabiliza? Resposta simples? Ninguém…

Um grande abraço a todos, em especial a todos que vivem neste momento situações idênticas.

1 comentário:

Ismael PVT disse...

Quero dizer que fiquei solidário. Acho que quando acontecem estas coisas só a TV resolve e mais propriamente a SIC e programa "Nós por Cá" - http://digg.com/u17orn - que nos ajuda sempre nestas andanças contra a burocracia.